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19 de set. de 2012

Se...



Se eu mudar, nosso encontros não vão passar de tristes desencontros.

15 de set. de 2012

01:48



Não muda muita coisa, na verdade muda tudo, mas o que importa? Nada? Talvez.
O que realmente tem importância nesse mundo repleto de ilusões?
Criamos as coisas e esperamos que sejam como tem que ser, mas e se não é? Se não for, tarde demais... ou quem sabe cedo demais?
É assim, a vida rodeada de dramas ininterruptos, de choros incessantes, de lágrimas secas, talvez presas na garganta.
É sempre assim, como deve ser, cada coisa no seu devido lugar. Mas será que sabemos a qual lugar pertencemos?
Eu não sei. Estou sempre perdida no meu mundinho, cercada de pensamentos tolos e sentimentos fúteis.
Difícil buscar por algo que não sabemos o que é, se perder no que não entendemos, e entender demais de algo que não nos pertence.
E o que é então?
A vida por trás de um sonho, esquecida nos pesadelos do nosso cotidiano barato. Deixado de lado, entregue às moscas.
Tudo fica para trás. Algum dia, em algum momento.
E hoje? Talvez agora seja melhor voltar a dormir, e sonhar.
Droga!
Estou acordada, e não há nada que eu possa fazer. Nada!
Nada vai deixar de ser o que parece.
Mais uma ilusão para preencher nosso vazio existencial.
Menos um respirar para seguir adiante.

11 de set. de 2012

Relação



Significados de Relação :
Relato, semelhança, referência, relacionamento.
Vínculo.

Sinônimos:
Relação, afinidade, analogia, conexão, conformidade, parentesco, tendência, amizade, afeição, afeito, afeto, amor, apego, benevolência, confiança, dedicação, estima, intimidade, ligação, simpatia, correlação, homologia, identidade, parentesco, paridade, semelhança, similitude.

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De repente uma palavra se enche de significados, quando na verdade eles sempre estiveram lá.
De repente algo se enche de vida.
Então você acorda para vida e tudo faz sentido.


6 de set. de 2012

Quimera



- Continue em silêncio, me deixe observar.

As pernas cruzadas, as mãos na mesa, o olhar se esgueirando pela lateral.
Um olhar direto, um sorriso tímido.
O vento, o céu azul, as nuvens rosadas.
Alguns risos.

- Calem-se! Estou tentando ouvir sua respiração (tão distante!)

Pássaros. Cantos. Vozes perdidas por aí.

- O que será que você está pensando agora?

Silêncio.

- Ótimo, posso continuar agora. Posso? Mas como? O que? Para aonde foi?

Ah sim, ali, logo ali.

- O que será essa ânsia? - Pense! Pense! Não! Será?

O coração dispara.

- Até você? Fique quieto. Pare! Não me atrapalhe.

Então sorri.

- O que está acontecendo aqui?
- Não sei, talvez você tenha se perdido. Talvez estivesse sonhando. Afinal, quem é você mesmo?
- A esperança, o seu sopro de vida. A sua vontade de viver. O que lhe fará sorrir.
- Está debochando de mim?
- Claro que não, você pode ser feliz.
- Como?
- Apenas me dê a mão.





5 de set. de 2012

Pouso de Emergência - A salvação



As pessoas se aproximavam, começaram a se aglomerar à sua volta. Podia sentir vários braços em abraços, risos estridentes, vozes ecoavam desesperadamente em sua mente.
Via rostos, expressões, olhares debochados. Queria fugir de tudo aquilo. Estavam invadindo o seu espaço, a sua vida. O seu eu secreto, o limbo dos seus sonhos.
As lágrimas começavam a se formar, embaçava sua visão, os punhos já haviam se erguido, seus braços tentavam protegê-la. Se retraia, sentia o peso daqueles corpos quase que em cima do seu quase desfalecido.
De repente uma voz, distante, familiar. Aquele tom sereno, aquela voz. Aquele alguém chamava seu nome, gritava. Parecia que estava vindo em sua direção, mas aonde estava? Não conseguia enxergar nada.

- Maldita hora para chorar! - Gritava, mas a voz não saia.

Alguém estava chamando ela.

- Duda! Duda! Duda! Por favor....


Acordou confusa, quase que enaltecida por alguém tê-la salvo.
Ainda embriagada de sono tentou recordar de tudo o que havia sonhado.

- Era um sonho e apenas um sonho. Aonde já se viu? Ataques de pânico até em meus sonhos?

Olhou para teto, o breu do quarto lhe fazia sentir uma estranha saudade do desconhecido.
Levantou, pegou papel e caneta e começou a escrever o que estava entalado na garganta.


_

As horas não passavam, queria que a noite viesse, a lua surgisse, e que seu olhar viesse de encontro ao seu.
Aonde ele estava? Aonde poderia encontra-lo? Já era tarde, uma certa angústia tomou conta da pequena Duda, que após tudo isso se sentiu menor ainda.

Então, mais tarde do que gostaria teve a oportunidade de lhe fazer seu.
Naquele momento estava entregando o seu melhor. Uma parte da sua vida que poucas pessoas souberam apreciar.
Viu aquele sorriso. Aquele. O sorriso doce e inocente, amável, gentil, abobalhado.
O sorriso mais sincero que pudera presenciar em sua curta existência quase interrompida.
Era aquele sorriso, aquele olhar. Aquela sensação que fazia com que tivesse a certeza de que valia a pena viver.


3 de set. de 2012

Pouso de Emergência - A fuga existencial

A fuga existencial



Claro que ela não acreditava em príncipe encantado, haviam tantas feridas em seu coração, corpo e alma, que tentou fazer do amor apenas um complemento.
Tinha tantos traumas, dores, medos, tantos anseios, e ainda sim talvez não tivesse nada.
Foi o que Duda se tornou: um nada diante da vida.
Sempre acabava sozinha, jogada em sua cama, escutando a mesma música várias vezes até o choro cessar.
Já havia desistido dos seus sonhos, seus planos eram fúteis, seu amor era como um rascunho inacabado.
Então, sem mais, menos, ou qualquer outra coisa que pudesse citar, pensar... Enfim, foi como se tivesse visto o seu reflexo. Já acontecera antes, mas assim? Com tantos detalhes iguais? Seria mais do mesmo? O próprio? Ou finalmente o certo?
De repente estava repleta de mistérios. Fascinada. Quero saber mais, muito mais do que estava vendo.
Era ela? Talvez. Quem sabe um pouco de amor, dessa vez para sempre.
Nada disso faz sentido pensando assim. Ou faz? Ah, já não sei o que dizer.

- Ok, eu vivo dizendo que não tenho mais expectativas, mas e agora? E todo esse fascínio? As descobertas? Os sonhos? E o amor? O que eu faço com todo esse amor?

Amar sozinha? Amar em vão? Como gostaria de não amar mais ninguém. Ao mesmo tempo ama todo mundo, espera coisas boas, e o resultado pode ser visto claramente sob os punhos.
São tantas palavras, tantos versos, tanta ladainha que sai da boca dos outros. Para que?
Me deixem. Talvez só eu não me machuque tanto.
Mas não, sozinha eu não vivo. Odeio depender do amor dos outros. Odeio depender do meu amor.
De novo o amor? É! É algum tipo de perseguição? Amor demais? Amor de menos?
Por favor, amor. Por favor, me deixe aqui. Cansei dessa brincadeira de gato e rato. No final eu saio mais devorada que a carne atirada aos lobos.
O pior é que eu ainda acredito nessa besteira de amor.
Ainda quero viver o meu conto de fadas. Mas como? Sem príncipe? Sem princípios?

- Cale-se Duda!
-É muita loucura ir adiante.

- Por que me calar quando o que eu mais quero é gritar?
- Então se esvaia. Jogue todo o seu sangue para fora. Deixe sua alma partir. Diga adeus aos seus medos.

- Não, não posso. Vivo de amor, respiro sua vida.
- Você se engana demais, pequena. Você não precisa de amor. Você não precisa de nada, nem de ninguém.

- Cala a boca, me deixe em paz.
- Paz? Sua tola! O mundo te faz de gato e sapato e você ainda quer amor? Quer ser amada? Se entregue as traças. Desista!

- Prefiro ser uma tola apaixonada, do que uma pobre alma solitária e amargurada, sedenta de prazeres e carinhos.


Viva na sua imaginação. Deixe-se levar. A vida te arrasta, te guia, te puxa.
Que loucura! Ela discutindo com seu ego inflado e ferido. Ridícula!


Toda essa tortura porque viu além do que poderia.
Quis conhecer todas as vírgulas daquele livro. Todos os pontos. Talvez quisesse reescrever o final.
Ela só quer esvaziar a cabeça, esvaziar o coração e esbanjar amor. Só quer alguém que entenda que toda a sua loucura não é tão insana assim.
Dentro dessa aberração existe um coração tão gigante, que está quase me fazendo explodir.

- Não enche Duda, vai dormir e fique quieta no seu canto. Eu não aguento mais você.
-É, nem eu.

29 de ago. de 2012

Você me bagunça



Minha vida é uma eterna confusão da qual eu gosto de fazer parte.
Gosto da minha bagunça, nela me encontro, e me perco quando quero me esconder.
Conheço cada canto que pode ser habitado, cada detalhe que pode fazer tudo desmoronar.
Gostaria de dividir minha bagunça com alguém, minha confusão de sentimentos, e não parecer uma louca cheia de manias insanas.
A minha loucura repentina estaria completa se sua bagunça se juntasse à minha.

28 de ago. de 2012

O caminho é um só



Por mais que eu busque o caminho da felicidade, ela já me provou que seus caminhos não se encontram. As trilhas da vida em percorremos, nos coloca diante da estrada rumo ao amanhã.
Nossa vontade de ser feliz a qualquer custo é como uma pedra que se materializa do nada em frente aos nossos pés enquanto corremos desesperadamente em busca de sonhos perdidos.
É apenas um obstáculo que nós mesmos colocamos à nossa frente. Como uma barreira de medos coberta de incertezas.

10 de abr. de 2012

Poderia



Poderia ser simples. Eu iria segurar a sua mão, e você seguiria comigo até o fim. Poderíamos sentar num banco qualquer, conversar sobre os nossos sonhos, e começarmos a rir feito dos bobos. Em algum momento eu iria lhe beijar a face, apertar sua mão, e encarar seus olhos, como se esperasse que eles respondessem ao impulso dos meus.
Talvez roubasse alguns beijos, e logo após esbanjaria um daqueles sorrisos inconfundíveis, repletos de amor e paixão.
Tanta coisa poderia acontecer, e nada acontece. Tudo permanece exatamente da mesma maneira.
Eu continuo carregando os mesmos problemas aqui dentro. Todas as pessoas parecem me abandonar quando eu mais preciso. Nunca um abraço foi tão desejado, não aqui.
Estou esquecida por aí, aonde ninguém pode ver. Estou despedaçada, como o meu coração, que não sabe mais pelo o que bater.

4 de abr. de 2012

Brisando

Talvez o mundo não seja tão injusto assim. É só a sua maneira de ver as coisas. A lua é igual para todo mundo, então não tem por que ser diferente. Parece que é, talvez seja. Talvez não.
A verdade é que eu não sei de nada. Se eu soubesse não estaria aqui com as minhas asneiras, podem apostar que não.
Sabe, exigimos demais de nós mesmos e de todos à nossa volta. Complicamos de mais as coisas colocando sentimentos nelas.

Eu queria acordar e não desejar nada. Deixar o dia seguir, e me surpreender ao invés de me decepcionar.

Decidi, que só por hoje, vou deixar a vida me levar, sem me preocupar. O que tiver que ser será, e lá estarei.


3 de abr. de 2012

Parece cocaína, mas é só tristeza

Às vezes sinto uma felicidade quase que incontrolável. Meus lábios sorriem sozinhos, meus olhos brilham de alegria, e meu corpo dança com o vento. Canto aos berros em perceber, e me levo além do que sei.
Mas não sei como, muito menos por aqui, às vezes essa felicidade acaba muito rápido, tanto quanto começou.
Todo o meu extase se rompe, e fico pelo chão. Me arrasta, me arranho, e me quebro em tantos pedaços que nunca consigo recuperar todos os cacos. Sempre sobram falhas.
Sinto a brisa passar pelo meu rosto, respiro profundamente, e me encho de sorriso gigantes, de uma felicidade contagiante. Vontade de correr, gritar, pular e cantar todas as minhas músicas favoritas. Canto algo na rua, canto no banho, e canto versos em minhas poesias. Canto a vida, numa dessas canções que não fazem muito sucesso, mas que continuam por lá.
De repente desperto para a realidade de algo que não me agrada. Em segundo uma melancolia gigantesca se apode de mim, e tenta me arrastar com ela.
Eu não sei o que é, mas acontece, e não passa. Não mais.

2 de abr. de 2012

amor e suas coincidências

Quando encontramos alguém que amamos qualquer coisa em comum passa a ser uma puta coincidência, ficamos naquele "mimimi" de que temos muito em comum, e depois descobrimos que o simples fato de termos algo em comum não vai salvar a sua vida dos problemas do dia a dia.
Eu conheci um cara que era a minha alma gêmea, tanta coisa em comum não poderia ser desperdiçada. Eramos feitos um para o outro, quanta perfeição.
Acabou, e hoje eu vejo o quanto não tinhamos praticamente nada em comum. Não estou "cuspindo no prato que comi", nem nada disso. Infelizmente é a realidade.
Eu sempre gostei de ouvir minhas músicas, encher a cara, estar no meio da galera. Sempre gostei de tatuagens, piercing, alargadores, e tudo o mais.
Bem, depois de mais de 3 anos e uma longa convivência, descobri que eu sou porra louca demais para alguém como ele. Não, todos sabem que não foi esse o motivo do nosso término, mas com o pesar dos acontecimentos qualquer coisa diferente passou a se acumular.
Sou diferente, mas nada que me diferencie tanto assim da humanidade. Desde os 13 anos chamava atenção com meus cabelos cor de fogo, e os olhos cobertos de lápis e delineador. Ia as quartas no shopping e encontrava a galera, iamos para praça às vezes, e nos divertíamos com muito pouco.
Reunia os amigos aqui em casa, colocava um bom filme de terror, fazia montes e montes de pipoca, fazendo a nossa bagunça. Nossas piadas, brincadeiras, e toda a felicidade de um bando de adolescentes satisfeitos com o pouco.
Nos fins de semana em que tinhamos uma graninha faziamos churrasco. Pouco carne, e muita bebida barata. Horas depois todos estávamos bebados, rindo de tudo, e tendo lembranças memoráveis para contar para os nossos filhos e netos.
Eu cresci gostando de beber, fazer bagunça, e querendo tatuar o máximo de pele possível do meu corpo. Sim, eu sou assim. E meu ex noivo nunca gostou disso.
Aí eu me pergunto: por que estavámos juntos mesmo?
Era muito amor, eu sei.
Eu gostaria de saber como é que um relacionamento sobrevive com tantas diferenças?
Se alguém quiser ficar comigo, da próxima vez, se houver uma, terá que realmente gostar de mim do jeito que eu sou. Com todos os meus defeitos, quilos à mais, tatuagens, bebidas no fim de semana, video game, vicio em redes sociais, e tudo mais que vier acompanhado.
Vai ter que assistir filmes comigo e me fazer cafuné, e não querer me comer após brigar comigo.
Eu estou só um pouquinho revoltada com a humanidade, mas logo passa.
Só não quero ter mais problemas por ser quem eu sou.
Se gostar de mim tem que ser exatamente assim. Do contrário, adeus.

28 de mar. de 2012

Nada mais que nada

Ela não era o tipo certo, estava sempre por fora do que estava acontecendo, e fazia tudo do seu jeito.
Cresceu escutando que não era o que todos queriam, e seus defeitos lhe renderam muitos apelidos que lhe trazem péssimas lembranças até hoje.
Pintou o cabelo, descobriu o que era lápis de olho, all star, e rock and roll.
Conheceu então o amor. Em sua forma mais sutil e inocente. Escreveu tudo o que seu coração lhe dizia, entregou-se em cada palavra ali presente, e amou como não se ouvesse amanhã.
Encontrou tudo o que queria naquele que acreditava ser o amor de sua vida. Fez planos, mudou sem destino, e foi atrás de ser feliz.
Antes de chegar na metade dos seus sonhos se surpreendeu com seu pesadelo. Se apaixonou. Fez novos planos. Queria aquele menino tão parecido com ela como nunca quis alguém. Não naquele momento. Amou, chorou, e continuou escrevendo toda dor que passava pelo seu peito.
Meses se passaram, muita coisa aconteceu, muitas coisas erradas ela fez, mas continua amando aquele menino que ela conheceu há muitos anos atrás. Aquele que iria ser seu pra sempre.
Ainda sofre pelo jeito com que tudo aconteceu. Ainda se arrepende de não ter feito há coisa certa no ano anterior.
Agora a única coisa que ela pode fazer é escrever, e ainda sim não tudo o que ela realmente sente.

2 de mar. de 2012

Família

Eu passei dois anos absorvendo o pouco da minha família que sobrava pra mim durantes ons fins de semana mensais em que eu vinha pra minha cidade.
Foi pouco, muito pouco. Eu desisti de todos os nossos planos por eles.
Hoje eu estava à toa, sentada na minha varanda, tomando um copo d'água. Olhei para os meus pais e senti algo tão gostoso. Eles estavam ali, tão próximos, conversando e rindo.
Confesso que senti tanta falta de vê-los rindo. Daquela garrafa de cerveja geladíssima todos os dias na mesa, no fim da tarde. Da minha mãe gritando o nome de todos os meus irmãos até acertar o meu.
Eu senti falta de estar no meio dessa bagunça que é a minha família. De acordar no domingo de manhã com o rádio no volume máximo e meu pai lavando o canil. Da minha irmãzinha com cara de sono. Da minha irmã resmungando. E do meu irmão debochando de mim à cada frase dita.

29 de fev. de 2012

Lembro

Tudo passa, nada muda. Apenas o mesmo sentimento de querer permanece em mim.
A mesma vontade de pular em cima de você ao te ver, te apertar bem forte num abraço único, e lhe beijar a face, com ternura e todo o amor que guardei para ti.
Fica toda a saudade existente em um único ser, e todo o desejo de te amar como na primeira vez. E eu apenas fico, lembrando de tudo o que minha mente me permite, e sonhando. Até te encontrar novamente.

28 de fev. de 2012

Nada



Eu não sei o que estou sentindo. Pela primeira vez nessa minha maldita vida eu não sei o que é amor, tristeza ou saudade.
É como se nada mais existisse. E eu apenas estivesse vagando por aí, sem rumo. Sem ao menos sair do lugar.
Talvez nem os melhores goles possam me embriagar diante desse porre de qualquer coisa.
Meus olhos se recusam a despejar esses baldes de desespero. Minha garganta conteve o grito.
Minha vida se conteve aqui. Parou. Nada mais existe como deveria ser.
Me perdi. Me deixei. Esqueci por aí as aflições dos dias anteriores.
Nada em mim se entende. Agora nada se sente. Não há o que temer, o que dizer, ou quem sabe pensar.
Só não deve existir nada, porque nem eu mesma entendo o que é.
Então não entendo e não sinto. Evito. E fico assim.

24 de fev. de 2012

Tudo e nada



Isso me corrói da cabeça aos pés. Saber que fiz tudo e ao mesmo tempo nada.
Dói, machuca, perfura toda a minha alma. Rasga todo o meu ser. Sangra-me os olhos.
Minha pele lateja, meus dedos dormem, meu corpo fraqueja.
Tudo se vai, tudo se perde. Tudo o que eu não gostaria de perder.
Fraquejar não vai fazer tudo voltar a ser como era. Nada é o que era.
Tantas lágrimas dispersas não vão inundar os meus dias, não são suficientes para me matarem afogada.
Meu corpo treme. Aquele que você tomou por inteiro. O que era quente, e agora está frio.
Toda essa náusea não vai expulsar todo o sofrimento enterrado por debaixo dos meus ossos.
Nada vai me salvar de mim mesma. O que restou não pode ser salvo. Está perdido. Enterrado em lembranças que ferem a cada flash.
Dói tudo o que não se salva, fere o que se perde. Rasga-me a face. Escorre a vida que perdi entre os dedos.

Um dia qualquer


Talvez um dia ao acordar você perceba que tudo está fora do lugar, e que você poderia ter feito um pouco mais.
Ou apenas acorde e pense que tudo não passou de um pesadelo.
Nós não estamos encarando isso da mesma maneira, porque se assim fosse nós iríamos conseguir uma solução para tanta dor.
Pode ser que eu acorde numa dessa manhãs frias de sábado, e acenda meu cigarro, tome um gole do meu vinho, e pense em você.
Ou apenas procure por você em cada pedaço de pele que você tocou.
Em um dia qualquer eu poderia me deitar, e de repente sentir seu cheiro. Ter as lembranças mais doces, e após as mais amargas, e ainda sim pensar que valeu a pena.
No sábado a noite eu poderia beber um pouco a mais, e querer te mandar mil mensagens pedindo para voltar. Quem sabe se eu pedir.
No domingo pela manhã a ressaca iria me dar uma lição de moral, e eu cairia em prantos ao lembrar que existiu tanto amor, que existiu tanta vontade de ser feliz, e que tudo se perdeu nesse longo caminho que seguimos.
Talvez eu acorde, mas não. Prefiro continuar dormindo e sonhar que tudo está bem.


In the end

É verdade o que dizem sobre só dar valor as pessoas quando estamos perdendo-as.
Não que eu não dê valor, mas é que ultimamente eu tenho deixado isso meio de lado, e não me orgulho de não corresponder a altura.
Eu esqueço de valorizar o que há de melhor em mim. Esqueço de dizer o quanto você é importante na minha vida. Esqueço de agradecer por tudo o que tem feito.
Eu queria não ser tão maluca quanto sou. Ninguém me entende. Todo mundo simplesmente acha que vivo em um mundo paralelo em um drama adolescente.
O grande problema da minha vida é justamente esse: infelizmente eu não vivo em mundo paralelo. Se fosse assim poderia ser mais fácil explicar para todos o porquê de ser uma aberração melancólica.
Eu me perdi há alguns anos, e até hoje não me encontrei. Senti a dor de deixar o pouco que eu gostaria de ter para trás.
E agora, talvez seja um pouco tarde para me buscar. Bem, talvez agora eu esteja diante da perda novamente.
Por mais que haja amor, sempre tem alguma coisa para atrapalhar. E creio que dessa vez essa coisa venceu.
Distância, você já foi muito malvada comigo. Agora, acho muita sacanagem da sua parte fazer isso de novo, e ainda por cima colocar um ponto final na minha vida.
E é assim, a vida te usa de tal forma, e de repente te joga em um canto qualquer, e você que levante e caminhe com as próprias pernas.
Eu gostaria de não ser assim. Nunca gostei de ser doida. As pessoas não me entendem. Aliás, as pessoas também não se entendem. Talvez estejamos todos no mesmo precipício, prestes a dar o próximo passo e dizer adeus.
Eu prefiro acreditar que o mundo todo está enlouquecendo, do que acreditar que o problema sou eu.
Sim, vivo em processo de negação dos meus pensamentos sórdidos. Tenho medo de saber que o problema é só comigo, como todos acham. Tenho medo de não ter uma solução para esses meus momentos de surto instantâneo.
E assim me perco. E perco tudo o que me faz feliz. Por que infelizmente eu sinto demais as coisas. Tenho saudade demais em meu peito. E frieza de menos para lidar com a ausência.

23 de fev. de 2012

Erros


A vida é surpreendente, e o ser humano mais ainda.
Eu não sou nenhum exemplo a ser seguido. Já fiz muitas coisas nas quais eu me arrependo, e outras que talvez se eu não tivesse feito não estaria aqui.
Pode não parecer, mas já aprendi muito com os meus erros nesses meus poucos anos de vida.
Sei que ainda tenho muita coisa pra viver, e creio que não vai ser tão fácil quanto parece.
Enfim, eu aprendi mais uma lição e dessa vez o assunto nem foi comigo.
Eu demorei para descobrir e criar coragem de assumir os meus erros, e me desculpar com as pessoas envolvidas.
Bem, eu não vou falar que estou livre disso, e que nunca mais irei cometer erros.
A questão é que se você fez algo que não deveria ter feito, talvez assumir e pedir perdão seja a melhor maneira de encarar a situação.
Negar os fatos só faz com que você mesmo se perca dentro dos seus erros.
Todos nós somos seres humanos, sujeitos a falhas. Todos nós merecemos perdão. Mas acima de tudo: todos nós precisamos nos perdoar por nossos deslizes.
Assumir é o primeiro passo para se livrar de seus fantasmas.
Perdoar é essencial.
Perdoar a si mesmo é o que vai fazer com que você supere todo o problema.